Arte indígena cearense é tema de mesa virtual do Porto Iracema das Artes

Foto de Byya Kanindé.

Evento acontece no dia 23 de abril, às 17 horas, no YouTube da Escola. Participam Jéssica Anacé, Byya Kanindé e
Merremii Karão Jaguaribaras Merremii Karão, do grupo Tamain

Na semana que começa marcada pelo Dia dos Povos Indígenas,19 de abril, o Porto Iracema das Artes promove na próxima sexta-feira, 23 de abril, uma mesa virtual sobre produção de arte indígena na cena cearense. Participam da live com transmissão pelo Youtube o Grupo Tamain, grupo de trabalho e estudo sobre arte, com as artistas Jéssica Anacé, Byya Kanindé e Merremii Karão Jaguaribaras Merremii Karão.

A mesa terá mediação de Carolina Vieira, coordenadora dos Cursos Básicos em Artes Visuais da Escola, e Iago Barreto, arte-educador, artista e comunicador comunitário. Iago antecipa um pouco do que será debatido: “É uma conversa sobre as atividades do grupo para que jovens artistas das etnias do Ceará desenvolvam suas linguagens, pensem exposições, publicações, retomada de espaços, além de assuntos pertinentes à ecologia, política, direito à terra”. O grupo também está prestes a lançar “Mecunã Kérupi Ané”, livro em parceria com o Instituto da Fotografia (IFoto), que reúne os trabalhos de vários artistas participantes do Tamain e explora o mundo que eles querem continuar a desenvolver.

Foto de Merremi Karão Jaguaribaras

Jéssica Anacé, uma das artistas a compor a mesa, é fotógrafa e documenta rituais, cotidiano, esportes e outras vivências do seu povo. Ela reforça a importância, o significado e a ancestralidade que a arte carrega e ressalta que a live deve tratar também desse debate. A arte indígena, conforme a fotógrafa, está expressa desde as pinturas corporais dos indivíduos até à estrutura arquitetônica das ocas e outros locais de moradia – tudo deve ser cuidado e respeitado. “Elas (as artes) são de uso cotidiano ou nos rituais. Temos a música como forma de contar histórias, o artesanato, a confecção de armas, arquitetura. Vale lembrar que cada tribo tem suas próprias características”, complementa.

Outra artista convidada, Byya Kanindé, também aproveitará o momento para falar sobre fotografia, mas acrescentado a temática de espiritualidade indígena. “Esse debate vai ser de grande importância para o movimento indígena, para reforçar a importância e o respeito por essa cultura”, reforça. Byya salienta a necessidade de que mais instituições abram espaço para essa discussão.

Foto de Jéssica Anacé.

Sobre as convidadas

Jéssica Anacé

Da aldeia Mangabeira, fotógrafa e artista visual, com forte vontade de ser jornalista, participa da retomada das queimadas do seu povo, onde tenta fortalecer o território junto à juventude. Como fotógrafa, documenta rituais, cotidiano, esportes, pensando em como levar a vivência Anacé para mais pessoas.

Byya Kanindé

Antonia Beatriz Silva Lourenço, conhecida como Byya kanindé, tem 18 anos, é indígena do povo kanindé de Aratuba (CE), zona rural. Sempre morou na Aldeia, é filha de agricultor. Como artista, desde os 14 anos tem vontade de pesquisar sobre sua ancestralidade e as plantas que fazem parte do seu território, usando da fotografia e da colagem.

Merremii Karão Jaguaribaras Merremii Karão (nome étnico de rito de passagem)

Pertencente à Nação Karão Jaguaribaras, do Estado do Ceará. Agricultora, militante indígena, contista, poetisa, ambientalista, artista plástica com Taowás (Pinturas e grafismos), representa a força das Kahañe Kahoo (o espírito feminino) em seu Kalembre/ Aldeia. Graduanda em Sociologia na UNILAB-CE. Como liderança jovem, tem a função de levar a voz do povo além do Kalembre. Na arte, preserva e promove os saberes ancestrais em diversas linguagens, seja nas Taowás (grafismos e pinturas); na música; dança; filosofia; poesias, entre outras artes que fortalecem as práticas do bem viver.

Iago Barreto

Arte-educador, artista e comunicador comunitário. Colaborador do Museu Indígena Tremembé desde 2014, foi professor escola de cinema indígena jenipapo-kanindé, Curador da exposição “Nas aldeias: o cotidiano sob o olhar da juventude indígena do Ceará”, a primeira exposição multiétnica de fotógrafos indígenas do Estado. Desde 2018 trabalha junto aos Anacé da Japuara, fotografando o projeto Memórias da Retomada de São Sebastião e com o Cine Japuara, cineclube de luta pela terra e emancipação humana

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O quê: Arte indígena cearense é tema de mesa virtual do Porto Iracema das Artes
Quando: Dia 23 de abril, sexta-feira, às 17h
Onde: YouTube do Porto Iracema das Artes
GRATUITO

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Gabriela Feitosa (estagiária) | Supervisão e edição: Raphaelle Batista | Publicado em 15/04/2021