Aula aberta e exposição encerram curso “Corpo-f3chado: ateliê de criação desobediente”

“Ritual para a palavra”. Fragmento II, colagem manual, 2021, de Ma Njanu.

A aula será transmitida ao vivo pelo Youtube da Escola, a partir das 18 horas. O curso, do Programa de Fotopoéticas, foi um dos primeiros do ano ofertados online 

Para marcar o encerramento do curso “Corpo-f3chado: ateliê de criação desobediente”, do Porto Iracema das Artes, os professores Ma Njanu e Rômulo Silva farão uma aula aberta, com a participação de alunas e alunos, no próximo dia 12 de março, sexta-feira. O evento inicia às 18 horas e será transmitido pelo Youtube da Escola. No mesmo dia, também será lançada uma exposição virtual com as obras produzidas durante a formação, que já pode ser vista no perfil do curso no Instagram (@corpof3chado).

A formação tem como objetivo discutir as possibilidades inventivas para desmantelar e derrubar as clausuras coloniais que cercam palavra e imagem. Rômulo Silva já esteve à frente de outras formações na Escola e, desta vez, divide o projeto com Ma Njanu, artista, educadora, poeta e escritora cearense.

Segundo ele, o curso do Programa de Fotopoéticas traz o pensamento da encruzilhada, tecendo junto aos participantes uma proposta de desobediência ao colonialismo e todos seus desdobramentos. ”Isto é: o racismo, a homolesbotransfobia, o patriarcado e outros tipos de violência como a desigualdade socioeconômica”, detalha o professor.

Para isso, o grupo tem realizado debates a partir de autoras contemporâneas importantes do Brasil, como Denise Ferreira da Silva e Cidinha da Silva. ”Pensamos que, por exemplo, a palavra e a imagem foram capturadas, sofreram uma espécie de assalto pelo mundo moderno, pós-iluminista”, explica. A partir daí, estudantes propuseram o que chamam de ”tecnologias ancestrais”, que resgatam e ressignificam a imagem e a memória de populações sistematicamente oprimidas. ”Como pensar uma ancestralidade no nosso tempo?” foi o questionamento que norteou o curso e será trazido para a aula aberta.

Ritual para a palavra, colagem manual (2021), de Ma_Njanu.

O Instagram serviu para o grupo como uma espécie de parede, lugar de exposição, onde os alunos estão expondo suas colheitas feitas no curso. Na live, o grupo também vai narrar um texto curatorial dos trabalhos. A ideia é que o projeto continue para além do Porto Iracema das Artes, espaço reconhecido por Rômulo como importante para pensar arte e cultura nesse período de isolamento social.

Ma Njanu explica que a aula aberta é uma espécie de culminância dos projetos construídos ao longo do ateliê. O curso, cuja proposta é dela e de Rômulo, teve inscrições gratuitas, assim como todas as formações e eventos realizados pela Escola. “É importante evidenciar isso, porque no contexto em que vivemos tem sido difícil investir em educação e arte”, complementa a artista. Na sexta-feira, os professores também aproveitam para falar sobre a proposta metodológica do ”Corpo-f3chado”, a encruzilhada, que aparece como fundamento das criações e debates. ”É na encruzilhada que a vida se movimenta, que Exú exerce seu trabalho de comunicador”, conclui.

Sobre os professores 

Ma Njanu é poeta, artista visual e educadora. Faz parte da Pretarau – Sarau das Pretas, coletiva de artistas negras de Fortaleza e região metropolitana; e da Rede de Mulheres Negras do Ceará. Sua criação artística é desenvolvida através de narrativas literárias e imagéticas que envolvem memória subjetiva-individual coletiva, traumas e curas, celebração de saberes tradicionais do terreiro do candomblé; crítica e ruptura dos sistemas coloniais da modernidade, produtores de violência racial, econômica, ambiental, política, cultural, de gênero e sexualidade. Publicou a zine “Na boca do dragão da américa latina” e “Olho de tigre com fome: considerações sobre a literatura perversa”.

Crédito: Gabriel Dias

Rômulo Silva, 1987. É poeta e pesquisador. Nascido e criado no Pantanal (atual Planalto Ayrton Senna), periferia de Fortaleza (CE). É integrante do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e Violência (COVIO/UECE), onde também coordena a linha de pesquisa “Estudos afro-atlânticos”. Pesquisador-colaborador do Laboratório de Arte Contemporânea (LAC/UFC). Tem interesses nas áreas da Sociologia da Literatura, Escrita, Performance e Oralidade; Sociologia da Ação Coletiva e dos Movimentos Contemporâneos de Juventudes, além dos Estudos Críticos à Colonialidade. Estuda Mediação de Leituras na cidade de Fortaleza (CE). Mestre e doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia (PPGS/UECE). Assina a coluna Rastros no Ceará Criolo.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, ligada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

Serviço

O que: Aula aberta do curso “CORPO-F3CHADO – Ateliê de Criação desobediente”, com Ma Njanu, Rômulo Silva e participantes do curso
Quando: 12 de março, sexta-feira, às 18h
Onde: YouTube da Escola Porto Iracema das Artes.

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Gabriela Feitosa (estagiária) | Supervisão e edição: Raphaelle Batista | Publicado em 09/03/2021.