Diretor Cao Guimarães fala sobre o documentário “O Fim do sem Fim” em sessão da Mostra Fabulações no Real

7ª sessão da Mostra, que se destina a discutir os limiares do real e da ficção no cinema, é também a penúltima a ser realizada. Debate acontece na próxima terça-feira (01), no YouTube e no Facebook do Porto Iracema das Artes

Imergir nas vidas e nas percepções de indivíduos diante do desaparecimento de profissões e ofícios. Esse é o mote do documentário em longa-metragem “O Fim do sem Fim” (2001), que será debatido na próxima live da Mostra Fabulações no Real. O evento virtual terá como convidados um dos diretores do longa, Cao Guimarães, e a pesquisadora e professora da UFRJ, Consuelo Lins. O bate-papo acontece no Canal do YouTube e no Facebook do Porto Iracema das Artes, às 18h, na terça-feira (1).

O filme será liberado pela organização da Mostra por meio de formulário online disponível AQUI. A solicitação pode ser feita até às 12h da próxima terça-feira (1). O link para o filme será liberado no sábado (28), às 12h. Confira o trailer do longa:

O filme estreou no começo deste milênio, após passar por filmagens em 10 estados brasileiros durante dois meses, e retrata a resistência das pessoas diante de mudanças tecnológicas e culturais ocorridas com o passar do tempo, ante o desaparecimento de certas profissões e ofícios. A visão dessas pessoas sobre essas transformações e a reinvenção de suas existências são abordadas na produção.

Ainda em 2001, Cao Guimarães recebeu quatro prestigiados prêmios pelo documentário. No VI Festival Internacional de Documentários “É tudo verdade”, venceu o “Prêmio GNT de Renovação de Linguagem”, o Prêmio de Melhor Montagem no XI Cine Ceará, o Prêmio Cinema Indireto no V Forumdoc.bh e o Prix George de Beauregard no Festival Internacional do Documentário, “fictions du réel” em Marseille, França.

Além da extensa trajetória do diretor, também composta por outras célebres produções, Consuelo Lins participa da sessão trazendo todo seu repertório de pesquisa voltado para o audiovisual contemporâneo, com enfoque no próprio gênero da película do bate-papo, em documentário subjetivo e ensaios fílmicos. Curadora da mostra, Kamilla Medeiros, que também é realizadora audiovisual, pesquisadora e cineclubista, continua na mediação.

MOSTRA FABULAÇÕES NO REAL

A mostra já realizou seis debates com grandes nomes do cinema, precedidos da disponibilização de seus curtas e longas-metragens. Os bate-papos estão disponíveis no Canal do YouTube do Porto e podem ser acessados AQUI. Até dezembro deste ano, outras duas lives ainda devem ocorrer.

O Cineclube Âncora foi criado pelos ex-alunos do Porto Iracema das Artes, Kamilla Medeiros e Arthur Gadelha, como uma forma de estender a experiência da sala de aula nos Cursos Básicos de Audiovisual. A realização representa a retomada das atividades do Cineclube após o início da pandemia do novo coronavírus e das medidas de isolamento social.

Sobre o filme

“O Fim do sem Fim”

Direção: Cao Guimarães, Beto Magalhães e Lucas Bambozzi
Ano: 2001
Duração: 92 min

Sinopse: Documentário de longa-metragem que tem como pano de fundo o iminente desaparecimento de certos ofícios e profissões no Brasil. Rodado em 10 Estados brasileiros o filme é um mergulho na inventividade e resistência dos homens diante das mudanças tecnológicas e culturais. Num contínuo debate entre a finalidade e o fim das coisas, as evoluções contemporâneas são tratadas pelos próprios indivíduos retratados. Privilegiando aspectos ligados à existência, hábitos, e obsessões dos personagens, o filme percorre existências veladas, ofícios atávicos e práticas anacrônicas que compõem o retrato de um povo.

Sobre os convidados

Cao Guimarães

Cao Guimarães atua no cruzamento entre o cinema e as artes plásticas. Com produção intensa desde o final dos anos 1980, o artista tem suas obras em numerosas coleções prestigiadas como a Tate Modern (Reino Unido), o MoMA e Museu Guggenheim (EUA), Fondation Cartier (França), Inhotim (Brasil), dentre muitas outras. Realizou dez longas-metragens: Espera (2018), O Homem das Multidões (2013), Otto (2012), Elvira Lorelay Alma de Dragón (2012), Ex Isto (2010), Andarilho (2007), Acidente (2006), Alma do Osso (2004), Rua de Mão-Dupla (2002) e o Fim do Sem Fim (2001), que participaram de renomados festivais internacionais como Cannes, Locarno, Sundance, Veneza, Berlim e Rotterdam. Participou de importantes exposições como XXV e XXVII Bienal Internacional de São Paulo, Brasil; Insite Biennial 2005, México; Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, EUA; Ver é Uma Fábula, Brasil, uma retrospectiva com grande parte das obras do artista expostas no Itaú Cultural, em São Paulo, entre outras.

Consuelo Lins

Professora titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, é pesquisadora do CNPQ na área de audiovisual contemporâneo, particularmente cinema contemporâneo, documentário, documentário subjetivo e ensaios fílmicos. É doutora pela Universidade de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, onde atuou em 2014 como professora convidada. Pós-doutora (2015) pelo Departamento de Filme e Estudos Culturais do Birkbeck College, da Universidade de Londres. Autora dos livros “O documentário de Eduardo Coutinho; televisão, cinema e vídeo” (Ed. Jorge Zahar, 2004), em parceria com Cláudia Mesquita, “Filmar o real, sobre o documentário brasileiro contemporâneo” (Ed. Jorge Zahar, 2008) e o recém lançado “Cao Guimarães – Arte Documentário Ficção” (Ed. 7Letras, 2019). Além disso, é diretora dos filmes “Lectures” (2005), “Leituras Cariocas” (2009), “Babás” (2010), entre outros.

Kamilla Medeiros (curadoria e mediação)

Pesquisadora de cinema, cineclubista e realizadora. É formada em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará – UFC e em Audiovisual pelo curso básico do Porto Iracema das Artes. Dedica-se aos estudos sobre documentário brasileiro e cinema de fabulação. Entre 2019 e 2020, pela Vila das Artes, organizou e mediou a mostra “Acasos, memórias & destinos no documentário brasileiro: um encontro entre Eduardo Coutinho e João Moreira Salles”, e as sessões sobre a obra de Eduardo Coutinho com as participações de Beth Formaggini, Consuelo Lins e Carlos Alberto Mattos.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, ligada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

Serviço

O que: Diretor Cao Guimarães fala sobre seu documentário “O Fim do sem Fim” em sessão da Mostra Fabulações no Real

Quando: terça-feira, 1, às 18h
Onde assistir: Canal do YouTube e Facebook do Porto Iracema

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Pedro Victor Lacerda (estagiária) | Supervisão e edição: Raphaelle Batista

Publicado em 25/11/2020