Porto Iracema das Artes divulga roteiros vencedores dos prêmios Incubadora Paradiso e Porto-Frapa 2019

“Feito Pipa”, do cearense André Araújo, ficou com o 1º lugar, seguido de “Bate e Volta Copacabana”, de Juliana Antunes (MG), e “Engulo o mar que me Engole”, de Cíntia Lima e Lílian de Alcântara (PE)

Nesta terça-feira (17), a Escola Porto Iracema das Artes divulga os três projetos desenvolvidos no Laboratório de Cinema 2019 escolhidos para receber os prêmios Incubadora Paradiso e Porto-Frapa. Participaram da disputa os seis roteiros de longa-metragem selecionados para o Lab Cinema deste ano. O júri formado por Martha Cavalheiro, Renata Wolter e Murilo Hauser analisou os projetos entre 02 e 13 de dezembro.

O projeto “Feito Pipa”, do cearense André Araújo, receberá o Prêmio Incubadora Paradiso, que proporciona ao roteirista uma bolsa no valor total de R$ 30.000 (R$ 5.000 mensais ao longo de seis meses), além de mentorias, doctoring, consultorias em desenho de audiência, incentivos para a inserção no circuito internacional e outros apoios adequados às necessidades do projeto.

“A história é muito original, os personagens carismáticos, a abordagem da relação entre Gugu e Dilma tem profundidade enquanto mantém humor e leveza. Este também nos parece ser o projeto com maior potencial de ser produzido e distribuído”, afirma a comissão de seleção. Veja a nota completa abaixo.

Os outros dois roteiros premiados receberão o Prêmio Porto-Frapa, que dá direito a enviar um (1) integrante com acesso à credencial plena da 8ª edição do Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre – FRAPA, em 2020, além de passagens e hospedagem pagas em parceria com a Escola Porto Iracema das Artes. O segundo lugar ficou com o projeto “Bate e Volta Copacabana”, de Juliana Antunes, de Minas Gerais, e o terceiro, com “Engulo o mar que me Engole”, das pernambucanas Cíntia Lima e Lílian de Alcântara.

NOTA DA COMISSÃO DE SELEÇÃO:

“O roteiro que escolhemos como 1º colocado do Cena 15 é o Feito Pipa, de André Araújo. A história é muito original, os personagens carismáticos, a abordagem da relação entre Gugu e Dilma tem profundidade enquanto mantém humor e leveza. Este também nos parece ser o projeto com maior potencial de ser produzido e distribuído. Temos certeza de que vai encontrar seu público, em festivais e no circuito comercial. Acreditamos que Feito Pipa vai se beneficiar muito do apoio da Incubadora Paradiso.
O segundo lugar fica com Bate e Volta Copacabana, de Juliana Antunes, e o terceiro vai para Engulo o Mar que me Engole, de Cíntia Lima e Lílian de Alcântara.
Parabéns a todos por excelentes trabalhos!”

Ass. Martha Cavalheiro, Renata Wolter e Murilo Hauser

SOBRE A COMISSÃO
A comissão responsável pela seleção de projetos da Incubadora Paradiso 2020 foi formada por: Renata Wolter, produtora executiva da O2 Filmes, com mais de 14 anos de experiência na área de produção de conteúdo audiovisual; Martha Cavalheiro, profissional de comunicação/marketing com 20 anos de experiência em distribuição cinematográfica; e Murilo Hauser, mestre em roteiro pela University of Southern California, que colaborou em diferentes funções com diretores como Hector Babenco, Walter Salles, Daniela Thomas, e Karim Aïnouz, para quem escreveu A Vida Invisível, Grand Prix na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, 2019.

SOBRE OS PROJETOS:

FEITO PIPA
2019, longa-metragem, saga viada, ficção

Sinopse: Gugu (10) é quase um lampião feminino que mora com a sua avó Dilma (65), uma professora aposentada, forrozeira e desbocada, que cria seu neto de forma livre e sem se preocupar com a opinião da comunidade. Os dois vivem sozinhos à beira de uma represa, que após anos de estiagem, seca e revela a antiga cidade em ruínas. Junto com ela emergem também os destroços da família do menino, como o assassinato de sua mãe Eliane, uma ativista que lutava contra a implementação dessa obra na região. O retorno do trauma dispara um processo de Alzheimer em Dilma, que chega a esquecer quem é o próprio neto. Com medo de ter que morar com o pai homofóbico pela invalidez da vó, Gugu tenta esconder de todas as formas a sua piora. Mas, a doença avança e Gugu, sob a ameaça de não poder ser a criança que é, mergulha com Dilma num destino incerto, entre o esquecimento e a memória.

Roteirista:

Foto: Alan Sousa

André Araújo é natural de Russas (CE) e Mestre em Comunicação pela Universidade Federal do Ceará. Com o curta Eu Quero Fazer um Filme, produzido a partir de um dispositivo móvel, foi premiado em diversos festivais como a Mostra Universitária Sulamericana – MUSA e o Festival Internacional de Vídeo Minuto. Em 2017, fez a adaptação do livro A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, para a peça teatral A Hora da Estrela – O Musical. Em 2018, fez o roteiro e a direção do especial de Natal Baião de Dois, em parceria com a Globo Filmes. Em 2019, escreveu o longa Pacarrete, do diretor Allan Deberton, premiado no Festival de Gramado com 8 kikitos, entre eles o de Melhor Filme e Melhor Roteiro.

 

BATE E VOLTA COPACABANA
2019, longa-metragem, roadmovie lésbico, ficção

Sinopse: Paulinha (17) é mineira e nunca viu o mar. Ela é apaixonada desde a oitava série por Gabi (18), a gostosa do bairro, que mal sabe da sua existência. Michele (19) é foragida e está dando um tempo na casa da sua nova amiga Paulinha. Quando Paulinha descobre que Gabi vai fazer uma excursão “bate volta” para a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, ela convence Michele a assaltar um taxista para bancar a viagem. Bem-sucedidas, a dupla embarca no ônibus junto de Gabi que, para desespero de Paulinha, flerta com Michele. Quando a tensão sexual entre as duas chega ao limite na viagem, Paulinha não consegue mais impedir o romance. Desolada, ela sai sozinha pelas ladeiras cariocas. O trio finalmente se reencontra, mas o dia já raiou, o ônibus já partiu e elas estão tretadas e sem dinheiro numa cidade desconhecida.

Roteirista:

Foto: Alan Sousa

Juliana Antunes dirigiu, produziu e roteirizou o longa-metragem Baronesa, exibido em mais de 100 festivais pelo mundo e vencedor de mais de 20 prêmios nacionais e internacionais. É programadora no CINE 104 e curadora do Cineclube Aranha, ambos em Belo Horizonte. Dirigiu e roteirizou o curta-metragem Plano Controle, duplamente premiado no festival de Brasília (2018) e no Fic Valdívia (2019).

ENGULO O MAR QUE ME ENGOLE
2019, longa-metragem, thriller político sapatão, ficção

Sinopse: Shay (37) é uma mulher negra e engenheira da Aeronáutica. Fez uma dura escalada na carreira militar até ser capitã da equipe de lançamento de satélites. Mas o seu novo desejo agora é o de integrar o seleto grupo de cientistas da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Shay não mede esforços para cumprir a negociação da Base com a comunidade quilombola pela desocupação do território. A missão fracassa quando uma líder do quilombo, em protesto, ateia fogo sobre o próprio corpo. Shay é responsabilizada por essa morte e passa a ser atacada publicamente. Após o escândalo, seus vídeos sexuais vazam na internet: ela é lésbica e tem fetiche por filmar suas relações e amarrar as parceiras. Shay é expulsa da Aeronáutica e perseguida, tendo então que optar entre viver no isolamento ou dar uma arriscadíssima volta por cima.

Roteiristas:

Foto: Alan Sousa

Cíntia Lima dirigiu e performou os filmes Maldita Poesia (2012) e Rito (2014). Em 2017, recebeu no Chile a Menção Honrosa por sua atuação no audiovisual na XI Muestra de Cine Polo Sur. Se prepara para dirigir em 2020 seu roteiro de curta, Aprendendo a Nadar e concilia seus trabalhos autorais com a carreira de atriz, diretora de arte e curadora do Festival Internacional de Cinema de Realizadoras – FINCAR.

Lílian de Alcântara dirigiu os documentários Putta (2016) e Onde Anoitece (em finalização). É pesquisadora da História do Cinema Latino-Americano no PPGCOM-UFPE. Trabalhou na FGV com pesquisa e montagem de material de arquivo e foi técnica de catalogação e digitalização do acervo fotográfico do Vídeo nas Aldeias. Montou e produziu docs, além de ter feito a curadoria para diversas mostras e festivais.

 

SOBRE A ESCOLA
O Porto Iracema das Artes é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, com seis anos completados em 2019, desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

 

 

Assessoria de Comunicação | Porto Iracema das Artes
Publicado em 17/12/2019