Porto Iracema lança tema norteador do ano letivo e abre 165 vagas em primeira oferta de cursos de 2021

As “Poéticas de Travessia”, em alusão aos desafios da pandemia para a formação em artes, vão nortear as experiências formativas da Escola em 2021. Inscrições para cursos virtuais acontecem de 10 a 19 de fevereiro

O campo artístico precisou se reinventar em virtude da pandemia de Covid-19. Formas de criar e fruir foram deslocadas, emergindo variadas experiências, implicando em poéticas artísticas que alimentaram as travessias possíveis no período do isolamento social. A partir das experiências de 2020 e dos desafios que surgiram, o Porto Iracema das Artes abre o ano letivo de 2021 definindo o tema “Poéticas de Travessia” como norteador das atividades escolares. Resultado das reflexões sobre o ensino remoto nas artes, discussão central no Porto Iracema durante o ano passado, com a série de debates “Poéticas de Coexistência: questões para a formação em artes e virtualidades”, o tema perpassa todas as esferas formativas da Escola e já orienta a primeira oferta de cursos deste ano.

Com 165 vagas, pela primeira vez os cursos ocorrerão de maneira online. Nesta primeira oferta, serão sete formações distribuídas entre o Programa de Fotopoéticas (90 vagas) e os Cursos Básicos de Artes Visuais (40), Artes Cênicas (20) e Audiovisual (15), mantendo o caráter gratuito e o público prioritário de alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, entre 16 e 29 anos. Já o processo seletivo será remoto, por meio do preenchimento de formulário disponível AQUI.

“Pontes sobre Abismos” (2017), de Aline Motta

A diretora do Porto Iracema das Artes, Bete Jaguaribe, lembra os desafios que a pandemia impôs para a educação e a formação em artes, em particular. “Fomos jogados num turbilhão virtual para nos mantermos vivos. Foi uma experiência que impactou a nossa experiência de vida. No Porto Iracema, instauramos um processo de reflexão e de observação, com vistas a construirmos metodologias possíveis na virtualidade. Esse processo segue em 2021, potencializado com o tema norteador, que trata exatamente das contribuições que a experiência do isolamento pode sugerir para a formação em artes”, observa a professora, acentuando a ideia de “travessia”. “Essa proposta traduz uma necessidade de pensar nossa experiência num ambiente de instabilidade, num estado permanente de incertezas. Ao evocar a travessia como referente poético para o ano de 2021, indagamos como o estado de travessia nos provoca individual e coletivamente, como repercute em nossas poéticas de criação, como atravessamos e somos atravessados”, destaca Bete Jaguaribe.

O processo de reflexão que pontuou as atividades da Escola no primeiro ano de pandemia segue, agora, com a sistematização das experiências realizadas e a formulação do projeto de Plataforma Pública de Formação em Artes. “Em 2021, a ideia é mobilizarmos propostas de artistas que experimentaram novas poéticas de criação para que passem a compor os processos de formação da escola. Queremos propor um movimento de construção coletiva, a partir das novas poéticas surgidas nas práticas do mundo virtual”, afirma a diretora. Em março, o Porto Iracema das Artes lançará uma convocatória para cadastro de propostas de experiências formativas on-line para o Programa de Formação Básica, que dialoguem com os conceitos norteadores do projeto pedagógico da Escola.

CURSOS

Temporária Mente Sem Título (2019), de Aoruaura (Selfie). Imagem de um dos trabalhos que serão discutidos no curso “Travessias Afetivas”, de Lucas Dilacerda.

Essa primeira oferta de cursos do Programa de Formação Básica é constituída por propostas que trabalham a ideia de “travessia”. O objetivo é que a apresentação de conceitos da criação artística, alguns em conjunto com experimentações práticas, discutam os trânsitos entre noções aparentemente opostas como próximo / distante, pessoal / coletivo, concordância / insurgência.

A escolha dos professores desta primeira oferta reflete essa proposta, já que todos eles tiveram experiências diversas com a formação em artes e a virtualidade no ano que passou. Na equipe, estão os artistas e pesquisadores Zeca Ferreira, Aline Motta, Ma Njanu, Rômulo Silva, Deri Andrade, Lucas Dilacerda, Manuela Eichner e a Trupe Motim de Teatro.

As aulas serão ministradas entre 23 de fevereiro e 1 de abril. O resultado dos selecionados será divulgado no dia 22 de fevereiro, no site da Escola.

Colagem da série “Outros nomes outrxs deusxs”, 2018, de Manuela Eichner.

Confira, a seguir, informações detalhadas sobre os cursos:

– AUDIOVISUAL

TÃO LONGE, TÃO PERTO: Oficina de Cinema Documentário
Com Zeca Ferreira

15 vagas
Período: 02 de março a 01 de abril, terças e quintas, de 10h às 13h (30 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, com interesse em cinema documentário.
Requisito: É necessário um celular com câmera e acesso à internet.

EMENTA:
O cinema documentário é uma forma de olhar para a realidade, dispondo das ferramentas existentes, enfrentando os limites e experimentando as possibilidades que o tempo presente nos apresenta. Os desafios que o último ano colocou para a humanidade, estão presentes também na reflexão e na produção cinematográfica.

Atravessamos a primeira grande pandemia em um planeta totalmente digitalizado. A necessidade do distanciamento social para conter o vírus impulsionou uma corrida tecnológica sem precedentes no desenvolvimento e difusão de ferramentas de comunicação, assim como na nossa adaptação a elas, em novas rotinas de trabalho e estudo. A aproximação possível escancara, ao mesmo tempo, nossa condição de isolamento, e é preciso pensar sobre isso.

O curso mescla aulas teóricas, diálogos online e exercícios pensados a partir do limite que o momento impõe e das possibilidades existentes nas formas de expressão e interação disponíveis.

Temas em debate:

– O cinema documentário: breve histórico e princípios teóricos;
– O cinema documentário, novas tecnologias e experimentos de linguagem (ex: som direto, câmeras mais leves, cinema digital, etc.);
– Arquivo. Memória pessoal e memória coletiva;
– A autoria como construção. Multiplicidade de olhares e pontos de vista/lugares de fala (as conquistas dos últimos anos e os desafios atuais). O olhar e a voz do realizador. O ensaio como forma;
– Os desafios para o cinema em tempo de pandemia.

Exercícios de criação:
Ao longo do curso, propõe-se exercícios de criação como diários de rotina e cartas fílmicas, a partir dos quais cada participante esboça um projeto final.

Sobre Zeca Ferreira

Formado em história pela Unicamp, com mestrado em cinema pela USP, trabalhou nas áreas de direção e produção de cinema e televisão pelos últimos 15 anos. Foi assistente de realizadores como Nelson Pereira dos Santos (Raízes do Brasil I e II, Brasília 18% e Português, a língua do Brasil), Hugo Carvana (Casa da Mãe Joana) e Miguel Faria (“Chico, artista brasileiro”). Como diretor, lançou em 2009 o documentário de média- metragem “Terreiro Grande” e o curta-metragem “Áurea”, exibidos em diversos festivais no Brasil e no exterior. Áurea foi premiado no Cine PE (melhor curta digital, melhor edição, prêmio da crítica e prêmio especial do júri), Vitória Cine e Vídeo (melhor curta-metragem digital), entre outros. Sua trajetória no cinema inclui ainda os curtas “Ensaio sobre o silêncio”, uma coprodução da Afinal Filmes, Cafu Filmes e Canal Brasil; “Entre o traço e a luz”; e “A ilha é das crianças!” (ficção, vencedor do prêmio Curta Rio, prêmio de melhor curta-metragem infanto-juvenil no Festival de Triunfo). Atualmente está em finalização do seu primeiro longa-metragem, “Noites de Alface”, baseado no romance de Vanessa Barbara.

– FOTOPOÉTICAS

Fotografia e memória: a água é uma máquina do tempo
Com Aline Motta

30 vagas
Período: 16, 18, 23, 25 de março, terças e quintas, de 18h às 20h (8 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, com alguma experiência anterior em criação em fotografia e/ou artes visuais.

EMENTA:
O curso oferece um mergulho nos processos de criação da artista visual Aline Motta. Partindo de suas pesquisas em arquivos públicos e privados, a artista irá compartilhar como vem criando uma poética intimamente ligada com a memória e as trajetórias de vida de alguns de seus familiares. Ao longo do curso, serão oferecidas estratégias e ferramentas para que os participantes possam desenvolver e aprofundar suas pesquisas artísticas, a partir de suas próprias histórias de vida e experiências em suas comunidades.

Sobre Aline Motta

Mulher branca de cabelos pretos esvoaçantes, vestida de amarelo, olhando para a câmera.
Crédito: Estudio Ophelia

Nasceu em Niterói (RJ), vive e trabalha em São Paulo. É bacharel em Comunicação Social pela UFRJ e pós-graduada em Cinema pela The New School University (NY). Combina diferentes técnicas e práticas artísticas, mesclando fotografia, vídeo, instalação, performance, arte sonora, colagem, impressos e materiais têxteis. Sua investigação busca revelar outras corporalidades, criar sentido, ressignificar memórias e elaborar outras formas de existência. Foi contemplada com o Programa Rumos Itaú Cultural 2015/2016, com a Bolsa ZUM de Fotografia do Instituto Moreira Salles 2018 e com 7º Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça 2019. Recentemente participou de exposições importantes como “Histórias Feministas, artistas depois de 2000” – MASP, “Histórias Afro-Atlânticas” – MASP/Tomie Ohtake. Abriu sua exposição individual “Aline Motta: memória, viagem e água” no MAR/Museu de Arte do Rio 2020.

CORPO-F3CHADO: Ateliê de criação desobediente
Com Ma Njanu e Rômulo Silva

Ritual para a palavra, colagem manual (2021), de Ma_Njanu.

30 vagas
Período: 1, 3, 5, 8, 10 e 12 de março, segundas, quartas e sextas, de 18h às 19h30 (9 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, com interesse em fotografia e escrita.

EMENTA:
Mandinga de proteção, corpo e patuá (amuleto) são três pontas da encruzilhada que nos convocam a tecer a presente proposta. Corpo-fechado é um ateliê de criação desobediente que busca discutir possibilidades inventivas a favor do desmantelamento e da derrubada das cercas, cercados e clausuras coloniais. Partindo da produção audiovisual “Corpo Fechado: The Devil’s Work” (2018) de Carlos Motta, será possível pensar fotopoéticas e o seu duplo-poder de reapresentar a palavra e de sabotar o discurso. Sabemos que a palavra e a imagem foram capturadas pelas lógicas do programa pós-Iluminista. Entretanto, em contínuo diálogo com Cidinha da Silva e Denise Ferreira da Silva, propomos acionar tecnologias ancestrais de produção de Corpos Infinitos. Por meio do imaginário fazemos mandingas de proteção, isto é, mobilizamos a capacidade de imaginar e imagiar jogos de esquiva e fuga. Como criar pequenas poções ou preparados capazes de nos proteger das armadilhas coloniais? Como quebrar, minar, desmantelar estas estruturas sem morrer junto?

Sobre os professores

Imagem com filtro vermelho mostra o rosto de uma mulher de cabelos encaracolados, expressão séria, encarando a câmera. Ela tem piercing de argola no nariz.

Ma Njanu é poeta, artista visual e educadora. Faz parte da Pretarau – Sarau das Pretas, coletiva de artistas negras de Fortaleza e região metropolitana; e da Rede de Mulheres Negras do Ceará. Sua criação artística é desenvolvida através de narrativas literárias e imagéticas que envolvem memória subjetiva-individual coletiva, traumas e curas, celebração de saberes tradicionais do terreiro do candomblé; crítica e ruptura dos sistemas coloniais da modernidade, produtores de violência racial, econômica, ambiental, política, cultural, de gênero e sexualidade. Publicou a zine “Na boca do dragão da américa latina” e “Olho de tigre com fome: considerações sobre a literatura perversa”.

Homem negro, com dreads no cabelo e cavanhaque, aparece sentado com a mão no queixo, com expressão séria, olhando para a câmera.
Crédito: Gabriel Dias

Rômulo Silva, 1987. É poeta e pesquisador. Nascido e criado no Pantanal (atual Planalto Ayrton Senna), periferia de Fortaleza (CE). É integrante do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e Violência (COVIO/UECE), onde também coordena a linha de pesquisa “Estudos afro-atlânticos”. Pesquisador-colaborador do Laboratório de Arte Contemporânea (LAC/UFC). Tem interesses nas áreas da Sociologia da Literatura, Escrita, Performance e Oralidade; Sociologia da Ação Coletiva e dos Movimentos Contemporâneos de Juventudes, além dos Estudos Críticos à Colonialidade. Estuda Mediação de Leituras na cidade de Fortaleza (CE). Mestre e doutorando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia (PPGS/UECE). Assina a coluna Rastros no Ceará Criolo.

Outras imagens: um panorama da fotografia de autoria negra brasileira
Com Deri Andrade

30 vagas
Período: 15, 17, 22 e 24 de março, segundas e quartas, de 18h às 20h (8 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.

EMENTA:
Um panorama da fotografia brasileira atual, com foco na produção de autoria negra e no mapeamento do Projeto Afro, plataforma de mapeamento e difusão de artistas negros/as/es. O curso pretende trazer à discussão uma reflexão sobre a produção artística no atual contexto das artes no país, apresentando um percurso histórico da institucionalização da fotografia e as novas imagens criadas por jovens autores que demarcam uma outra história da arte no Brasil.

Sobre Deri Andrade

Deri Andrade, alagoano radicado em São Paulo, é mestrando em Estética e História da Arte (Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo), pesquisador e jornalista (Centro Universitário Tiradentes – Unit), especialista em Cultura, Educação e Relações Étnico-raciais (CELACC – Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação USP). Interessa-se pelo conceito de arte afro-brasileira, investigando a correlação entre conteúdo e forma presente nas poéticas de artistas negros/as/es. Desenvolveu a plataforma Projeto Afro (www.projetoafro.com), resultado de um mapeamento de artistas negros/as/es em âmbito nacional, por entender que a arte é um importante campo de disputa e também instrumento catalisador na luta antirracista. Tem passagens por instituições culturais, entre elas o Museu de Arte Moderna de São Paulo (atualmente), a Unibes Cultural e o Instituto Brincante.

– ARTES VISUAIS

Travessias Afetivas: Estética, Política e Arte Contemporânea
Com Lucas Dilacerda

20 vagas
Período: 23, 24, 25 e 26 de Fevereiro, terça a sexta, das 19h às 22h (12h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.

EMENTA:
O curso discutirá como a Política do Neoliberalismo tem provocado transformações na nossa Estética da Sensibilidade e da Percepção, no que tange ao surgimento de afetos tristes como a desatenção, o esquecimento, a apatia, o cansaço, a ansiedade etc. Para isso, o curso apresentará diversas manifestações artísticas na arte contemporânea, que denunciam a falência deste mundo neoliberal e colonial como conhecemos e que apontam para uma travessia em direção à afetos alegres e novos mundos possíveis.

Sobre Lucas Dilacerda

É artista e filósofo. Graduado (Licenciatura e Bacharelado) em Filosofia, com distinção Summa Cum Laude, Especialista em Filosofia Clínica, e Mestrando em Filosofia na Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi pesquisador do Núcleo de Pesquisa do Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC) e integrante do Laboratório de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes. Atualmente, é coordenador do Laboratório de Arte Contemporânea (LAC) e do Laboratório de Estética e Filosofia da Arte (LEFA). É membro do Laboratório de Artes e Micropolíticas Urbanas (LAMUR), do Programa de Pós-Graduação em Artes da UFC, integra o Conselho Educacional do Lux Espaço de Arte e coordena o Grupo de Estudos em Estética e Filosofia da Arte (GEEFA). Pesquisa nas áreas de Arte e Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: Ética, Estética, Filosofia da Arte, Cinema, Tempo, Imaginação, Corpo, Afeto, Vida e Arte Contemporânea. Foi curador das exposições “Soterramento”, “Arre_mate” e “Ant_Corpo”. Participou de diversas exposições e foi vencedor do 70º Salão de Abril.

Planta-colagem
Com Manuela Eichner

20 vagas
Período: 8, 10 e 12 de março, das 9h às 12h (8h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.

EMENTA:
Conexão Planta-Colagem. Como sonhar coletivamente num momento de mutação ecológica e confinamento social? Como romper com a tela do computador ? Como entender a nossa coexistência com a natureza ? A partir do estudo das plantas a oficina deseja estabelecer uma conexão entre sua estrutura (caráter rizomático, arquitetura cooperativa, autonomia energética) com a estrutura da colagem (multiplicidade, reciclagem, diversidade). Nesse encontro discutiremos temas como intuição, adaptação e nutrição trabalhando manualmente com imagens e folhas coletadas. Investigar o potencial das plantas para reencantar nossos sentidos, observar a metamorfose que está acontecendo em tudo. “Que a gente viva mais essa experiência do corpo sendo natureza” Ailton Krenak.

Sobre Manuela Eichner

Mulher branca, com uma blusa gola alta amarela, cabelos lisos de pontas loiras.
Crédito: Debby Gram

Manuela Eichner é artista visual formada em escultura pela UFRGS, Porto Alegre/RS. Natural de Arroio do Tigre/RS, vive e trabalha entre São Paulo e Berlim. Múltipla, sua prática abarca desde vídeos e performances até oficinas colaborativas, passando pelo desenvolvimento de ilustrações, instalações e murais. Nessas diferentes frentes recorre sistematicamente a princípios de colagem, ruptura e embaralhamento da unidade espacial. Participou de projetos como Rumos Itaú Cultural, Salão Arte Pará, ZK/U em Berlim, AnnexB em NovaYork, Fikra Graphic Design Biennial em Sharjah e IASPIS Residency em Malmö, Suécia.

– ARTES CÊNICAS

Cenografia criativa: ressignificando objetos do cotidiano
Com Trupe Motim

20 vagas
Período: 02 a 05 de março, terça a sexta, das 16h às 18h (8 h/a)
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio.

EMENTA:
Com o objetivo de ampliar o olhar da criação em cenografia, a Trupe Motim traz como principal material de trabalho desta formação prática os objetos encontrados em casa, no cotidiano. Com esses muitos objetos, em uso ou não, escondidos e esquecidos ou visíveis e à mão, pode-se criar cenografias, adereços, bonecos, etc. Criar novas funções (poéticas e/ou estéticas), ressignificar, provocar ideias e assim possibilitar enxergar o mundo de outras formas, onde tudo pode ser reaproveitado, recriado também em arte.

Materiais sugeridos:
Cola branca, cola quente, cola de contato / instantânea, tesoura, estilete, tecidos, papelão, papéis, papel adesivo, fita gomada, tubos e materiais plásticos, sucatas, vasilhas, porcas e parafusos, tintas diversas, brinquedos velhos ou quebrados, caixas variadas, etc.

Sobre a Trupe Motim

Crédito: Janaíle Soares

Da cidade de Quixeré, no vale do Jaguaribe, a Trupe Motim desenvolve pesquisa e experimentações estéticas em ruas e espaços não convencionais como ruínas abandonadas e galpões de feira que resultaram em performances como “Dinheiro Vivo” e “Mercado Da Carne”; espetáculos como ”Rabisco de uma Quase Existência, “Animus”, “Zoo Ilógico”; e obras audiovisuais como: “Criação de Porcos”, “Gaiola” e “Anhamun -O Cordel Mágico Dos Encouraçados. O novo trabalho da Trupe é o espetáculo “Imaginário Criador”, resultado do laboratório de pesquisa teatral do Porto Iracema das Artes.

Sobre o tema do ano 2021: “Poéticas de Travessia”

Provocada pelas muitas implicações da Covid-19 na vida social, a Escola Porto Iracema das Artes convida artistas e público, professores e estudantes a refletir e criar a partir da ideia da travessia. Inspirados por artistas e pensadores como Guimarães Rosa, Salomé Lopes Coelho e Michel Foucault, não se trata aqui estritamente de falar em deslocamento, de atravessar de uma margem à outra e lá chegar como sugere a expressão “novo normal”. Destacamos a potencialização de certa sensação de limiar, de habitar as zonas difusas, ambíguas entre distância e proximidade, solidão e comunidade, estagnação e movimento, espera e realização, ruptura e continuidade, provisório e permanente, presencial e virtual. Ao evocar a travessia como referente poético para o ano de 2021, indagamos como o estado de travessia nos provoca individual e coletivamente, como repercute em nossas poéticas de criação, como atravessamos e somos atravessados.

Em 2016, o tema que orientou as ações formativas do Porto Iracema foi “Narrativas”; em 2017, foi a vez das “Utopias”; em 2018, destacamos as “Poéticas do Feminino”; no ano seguinte, 2019, vivenciamos as “Poéticas da Existência”; e, em 2020, refletimos sobre as “Poéticas de Coexistência”.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, ligada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O quê: Porto Iracema lança tema norteador do ano letivo e abre 165 vagas em primeira oferta de cursos de 2021
Inscrições: 10 a 19 de fevereiro, AQUI
Público: Preferencialmente, alunos da escola pública, cursando ou tendo concluído o Ensino Médio, entre 16 e 29 anos.
Resultado da seleção: 22 de fevereiro
Período das aulas: 23 de fevereiro e 1 de abril
Online e gratuito

Em caso de dúvidas, entre em contato:
Secretaria:
secretariaescolaportoiracema@gmail.com
NULAB – Núcleo de Apoio aos Laboratórios e Cursos Básicos:
nulab.portoiracema@gmail.com

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Raphaelle Batista | Publicado em 10/02/2021