Roteiros desenvolvidos no Laboratório de Cinema serão apresentados em pitching aberto ao público

Além dos tutores do Laboratório, um júri composto por importantes produtoras do cinema brasileiro e as atrizes Linn da Quebrada e Isábel Zuaa participarão do evento na 7ª Mostra de Artes do Porto Iracema

Contribuir para a atuação profissional de roteiristas no mercado audiovisual brasileiro é o objetivo do Laboratório de Cinema da Escola Porto Iracema das Artes, que finaliza suas atividades promovendo uma apresentação pública dos roteiros desenvolvidos ao longo deste ano. O evento integra a programação da Mostra de Artes do Porto Iracema (MOPI) 2019 e acontecerá no sábado, dia 14 de dezembro, às 9h, no Cinema do Dragão. Com acesso gratuito e aberto a todos os interessados, o pitching de roteiros premiará os melhores roteiristas do Lab e contará com a participação de importantes figuras do cinema do Brasil.

Linn da Quebrada é uma das convidadas do júri no pitching deste ano. Na foto, ela interpreta a personagem Natasha em “Segunda Chamada”, minissérie da Rede Globo.

Entre os destaques do júri deste ano, a atriz, cantora e performer Linn da Quebrada, que está no ar em Segunda Chamada, minissérie da Rede Globo; a produtora Daniela Aun, da Gullane Entretenimento e Aun Filmes; a atriz e performer portuguesa Isabél Zuaa; o produtor Kaoê Catão, da RT Features; o roteirista Léo Garcia, diretor do Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre; a produtora Letícia Friedrich, da Boulevard Filmes; e a produtora Maria Carlota Bruno, da VideoFilmes.

Bete Jaguaribe, diretora da Escola, avalia o pitching como “um dos momentos mais importantes do ano” no Porto. “O Lab Cinema chega à sétima edição consolidado como o mais importante espaço de formação de roteiristas do Brasil. Hoje temos parcerias internacionais que expandem nossas experiências para o mundo, como as parcerias que construímos com o projeto Paradiso e o Festival de Biarritz na França. O pitching é um momento em que os nossos projetos se encontram com o mercado, com possíveis produtores. Muitos dos nossos projetos já viraram filmes, a partir desse encontro”, afirma.

Novos gêneros

Nesta edição, os roteiros Laboratório trazem sinopses com diversos gêneros, como roadmovie lésbico, terror matrimonial, thriller político sapatão, saga viada, comédia espiritual e horror colonialista. São eles: “As coisas que deixamos no fogo”, de Bárbara Cabeça e Priscila Smiths; “Bate e Volta Copacabana”, de Juliana Antunes; “Engulo o Mar que me Engole”, de Cíntia Lima e Lílian Alcântara; “Feito Pipa”, de André Araújo; “E eu lá tenho medo da morte”, de Gabriela Queiroz e Cândido Matos; e “A Redenção de Cam”, de Tom Eveney e Nilo Rivas.

O pitching é o momento em que os roteiristas apresentam ao público seus textos de forma criativa, podendo utilizar recursos como vídeos, performances de atores ou leituras dramáticas. Com apresentação de até 30 minutos, sendo 15 minutos para a exposição e 15 para responder às perguntas dos avaliadores e do público. Como costumam ser as atividades do Porto Iracema, o pitching também tem caráter formativo e o público poderá receber certificado de participação.

Premiações
Os seis roteiros serão avaliados por Murilo Hauser (roteirista), Renata Wolter (produtora) e Martha Cavalheiro (produtora), que escolherão o roteiro vencedor da bolsa mensal de R$ 5 mil, durante seis meses, para se dedicar ao desenvolvimento e aprimoramento do seu projeto, além de participar de mentorias e consultorias com profissionais de referência, junto a outros quatro projetos selecionados em outros laboratórios do Brasil. Além disso, a parceria do Porto Iracema com o Instituto Olga Rabinovich, instituição filantrópica no Brasil que tem como uma de suas missões fortalecer o audiovisual brasileiro, garantirá ao projeto escolhido a oportunidade de participar da incubadora de roteiros do Projeto Paradiso. O resultado será divulgado ao final do evento.

A atriz e performer portuguesa Isábel Zuaa é outra convidada do júri deste ano.

O Projeto Paradiso fez parceria com algumas das mais importantes iniciativas do audiovisual brasileiro, responsáveis pela seleção dos ganhadores, para conceder cinco (5) bolsas a projetos de roteiro pelo Brasil. Entre as instituições parceiras em 2019 estão o CENA 15, a Mostra Internacional de Cinema, o BrLab e o Laboratório Novas Histórias SESC/SENAC. O júri especial do Prêmio Incubadora Paradiso teve acesso às versões completas do primeiro tratamento dos roteiros da 7ª edição do Lab Cinema e o resultado será divulgado ao final do pitching, pela convidada especial Rachel do Valle, gerente de programas do Projeto Paradiso.

O segundo e o terceiro prêmio serão divididos entre os dois melhores projetos de roteiros avaliados durante a apresentação do Pitching. O prêmio FRAPA/Porto Iracema das Artes, resultado de uma parceria entre o Festival de Roteiro Audiovisual de Porto Alegre e a Escola Porto Iracema das Artes, será decidido pelos sete jurados convidados para o evento, e premiará um integrante de cada um dos dois projetos ganhadores com a participação na 8ª edição do FRAPA, com credencial, passagens e hospedagem pagas.

Por fim, haverá também o já tradicional Prêmio do Público, onde os dois melhores projetos escolhidos pelas pessoas presentes no cinema, por meio de uma cédula de votação, ganharão um ano de entrada gratuita no Cinema do Dragão. O segundo momento do pitching acontecerá nos corredores do Cena 15, onde os roteiristas irão se reunir com as produtoras e convidados num formato de rodada de conversa sobre os roteiros apresentados durante a manhã.

Edição 2019 do Lab Cinema
Na edição 2019 do Laboratório de Cinema do Porto Iracema, foram selecionados seis projetos de roteiros, sendo quatro de Fortaleza (CE), um de outros estados do Nordeste e, pela primeira vez, um de outros estados do Brasil, tendo cada projeto até dois roteiristas.

Alocado no Centro de Narrativas Audiovisuais (CENA 15) do Porto, o Laboratório investe energia no lançamento da pedra inaugural de um filme: o roteiro. Numa imersão que dura sete meses, os artistas-roteiristas trabalham questões voltadas à estrutura dramática dos projetos, à criação de personagens, à formatação dos roteiros e aos processos criativos da elaboração de narrativas.

A formação do Laboratório de Cinema foca nas etapas vitais à estruturação de um roteiro cinematográfico, sob a orientação de quatro grandes cineastas brasileiros que atuam como tutores: Armando Praça (Greta), Karim Aïnouz (A Vida Invisível), Nina Kopko (A Vida Invisível) e Sérgio Machado (Cidade Baixa).

De 2013 a 2018, cerca de 65% das histórias desenvolvidas no laboratório já circularam ou venceram festivais e editais públicos de financiamento da produção audiovisual nos mais diversos lugares do Brasil e do mundo, configurando essa iniciativa pública como um trampolim para a criação de novos profissionais da área.

Sinopses dos roteiros do Laboratório de Cinema 2019

AS COISAS QUE DEIXAMOS NO FOGO
2019, longa-metragem, terror matrimonial, ficção
De Bárbara Cabeça e Priscila Smiths

Catarina (27) está prestes a realizar seu grande sonho: ter um casamento perfeito, ao lado de Davi (36), um médico inteligente, bonito e bom de cama. Ela não mede esforços para agradar o noivo, que é obsessivamente meticuloso. A rotina de Catarina, limitada aos trabalhos domésticos da casa, só muda quando ela ganha um prêmio: uma semana de spa para noivas num hotel fazenda. Empolgada com a oportunidade, Catarina convence Davi a deixá-la ir, acreditando que o curso vai lhe ensinar mais sobre as regras de etiqueta que o noivo tanto exige dela. Ao longo dos primeiros dias no spa, Catarina começa a perceber que o programa de noivas que lhe ofereceram não é tão convencional assim, e que Davi está mais envolvido nisso do que ela imagina.

BATE E VOLTA COPACABANA
2019, longa-metragem, roadmovie lésbico, ficção
De Juliana Antunes

Paulinha (17) é mineira e nunca viu o mar. Ela é apaixonada desde a oitava série por Gabi (18), a gostosa do bairro, que mal sabe da sua existência. Michele (19) é foragida e está dando um tempo na casa da sua nova amiga Paulinha. Quando Paulinha descobre que Gabi vai fazer uma excursão “bate volta”; para a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, ela convence Michele a assaltar um taxista para bancar a viagem. Bem-sucedidas, a dupla embarca no ônibus junto de Gabi que, para desespero de Paulinha, flerta com Michele. Quando a tensão sexual entre as duas chega ao limite na viagem, Paulinha não consegue mais impedir o romance. Desolada, ela sai sozinha pelas ladeiras cariocas. O trio finalmente se reencontra, mas o dia já raiou, o ônibus já partiu e elas estão tretadas e sem dinheiro numa cidade desconhecida.

ENGULO O MAR QUE ME ENGOLE
2019, longa-metragem, thriller político sapatão, ficção
De Cíntia Lima e Lílian Alcântara

Shay (37) é uma mulher negra e engenheira da Aeronáutica. Fez uma dura escalada na carreira militar até ser capitã da equipe de lançamento de satélites. Mas o seu novo desejo agora é o de integrar o seleto grupo de cientistas da Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Shay não mede esforços para cumprir a negociação da Base com a comunidade quilombola pela desocupação do território. A missão fracassa quando uma líder do quilombo, em protesto, ateia fogo sobre o próprio corpo. Shay é responsabilizada por essa morte e passa a ser atacada publicamente. Após o escândalo, seus vídeos sexuais vazam na internet: ela é lésbica e tem fetiche por filmar suas relações e amarrar as parceiras. Shay é expulsa da Aeronáutica e perseguida, tendo então que optar entre viver no isolamento ou dar uma arriscadíssima volta por cima.

FEITO PIPA
2019, longa-metragem, saga viada, ficção
De André Araújo

Gugu (10) é quase um lampião feminino que mora com a sua avó Dilma (65), uma professora aposentada, forrozeira e desbocada, que cria seu neto de forma livre e sem se preocupar com a opinião da comunidade. Os dois vivem sozinhos à beira de uma represa, que após anos de estiagem, seca e revela a antiga cidade em ruínas. Junto com ela emergem também os destroços da família do menino, como o assassinato de sua mãe Eliane, uma ativista que lutava contra a implementação dessa obra na região. O retorno do trauma dispara um processo de Alzheimer em Dilma, que chega a esquecer quem é o próprio neto. Com medo de ter que morar com o pai homofóbico pela invalidez da vó, Gugu tenta esconder de todas as formas a sua piora. Mas, a doença avança e Gugu, sob a ameaça de não poder ser a criança que é, mergulha com Dilma num destino incerto, entre o esquecimento e a memória.

E EU LÁ TENHO MEDO DA MORTE
2019, longa-metragem, comédia espiritual, ficção
De Gabriela Queiroz e Cândido Matos

Marinês (35) e Vevé (11), mãe e filha, são duas trambiqueiras espirituais que pulam de velório em velório. A cada defunto, aplicam sempre o mesmo golpe: a falsa médium Marinês estabelece comunicação com o morto e profere mensagens que tocam o coração e o bolso dos familiares presentes. Vevé, no entanto, já cansada dessa vida de noites ao relento, sem paradeiro fixo, passa a suplicar à mãe para que elas morem na casa de uma tia. Para financiar a viagem, decidem dar o último golpe numa nova cidade. O que elas não esperam é que seus falsos poderes pudessem cair nas graças do prefeito, que passa a tratá-las como rainhas e concede à Marinês o posto de Conselheira Espiritual Oficial do município. Mas tudo muda quando, num novo velório, Marinês chora em cima da defunta e esta, de repente, ressuscita. Após o milagre, ela toma uma decisão: vai começar uma nova carreira, só que agora como Santa.

A REDENÇÃO DE CAM
2019, longa-metragem, horror colonialista, ficção
De Tom Eveney e Nilo Rivas

Cândida (20), uma noviça negra, abandona o convento e retorna à fazenda da família para cuidar da sua avó Eugênia (69), uma matriarca branca que enfrenta uma doença fatal. Ao chegar, ela descobre que o seu lar de infância sofreu estranhas transformações: cães de guardas ferozes na porta, maciças grades de ferro em todas as janelas e um museu no lugar da antiga senzala. Também há um novo empregado na Casa Grande, João (28), um homem loiro de comportamento esquivo, algo entre uma tímida criança e um ogro violento. Cândida tenta conviver naquele ambiente desagradável até que descobre que a doença de sua avó é uma farsa. A matriarca então enclausura a neta para pôr em prática a sua macabra fantasia: casá-la com João, para que tenham filhos brancos. Mas tudo deve acontecer segundo os preceitos da avó, sem estupro, com paixão e com Cândida fingindo-se de branca, ou melhor, tornando-se uma mulher branca.

SERVIÇO
O quê: Pitching 7ª edição – Apresentação pública dos roteiros do Laboratório de Cinema 2019
Quando: 14 de dezembro (sábado), das 9h às 14h
Onde: Cinema do Dragão (Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema)
GRATUITO

 

Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Lucas Casemiro

Publicado em 06/11/2019