Experimento cênico sobre o bairro e o lixão da Chapadinha, em Iguatu, estreia na 8ª MOPI

Foto: Daniel Macêdo

Trabalho de finalização do projeto “Chorume: laboratório em teatro documentário” será apresentado com transmissão ao vivo na próxima sexta-feira (28)

Dando continuidade à 8ª Mostra de Artes do Porto Iracema – MOPI com criações cênicas que finalizam o Laboratório de Teatro 2020-21, às 20h da próxima sexta-feira, 28 de maio, acontece a apresentação ao vivo do “Experimento Chorume.doc”, no Canal da Escola no YouTube. A obra é encenada por artistas-pesquisadores da Cia Ortaet, de Iguatu (CE). Ao final, com a participação do tutor e diretor Marcelo Soler, o grupo divide com o público a vivência da criação do trabalho através de um bate-papo. O experimento cênico é resultado da pesquisa “Chorume: laboratório em teatro documentário”, que envolve o tecido social e a estrutura do lixão a céu aberto do bairro Chapadinha, na cidade da região centro-sul do Estado.

A artista Carla Morais, que integra o projeto, relata a experiência de criação da obra. “O processo de trabalho foi prazeroso e também extenuante. Tivemos que nos adaptar ao formato digital para as apresentações, foi desafiador ao passo que nos mostrou caminhos interessantes que ainda não havíamos sequer pensado. Essa etapa do processo é apenas uma catapulta para seguirmos na pesquisa que irá se desdobrar num outro espetáculo. Parece que, quanto mais criamos, mais surgem ideias. Chorume é daquelas séries de 11 temporadas que deixam os fãs sedentos por mais, somos fãs desse trabalho”, celebra a pesquisadora.

Foto: Daniel Macêdo

A artista explica, ainda, que o público poderá conferir uma obra que se utiliza da estética do Teatro Documentário e do Teatro Épico, com uma narrativa que reúne a pesquisa, os documentos e o próprio processo de construção do futuro espetáculo. “Teremos boas doses de crítica política temperadas com o humor”, adianta.

“Experimento Chorume.doc” será o primeiro projeto do Laboratório de Teatro a estrear na Mostra de Artes do Porto Iracema. “A MOPI é um momento importantíssimo para os grupos e artistas dos Laboratórios. É uma oportunidade de apresentar publicamente o ‘estado da arte’ já mais avançado das pesquisas e para um público mais amplo, de modo geral, do que nas Rotas de Criação”, avalia Levy Mota, coordenador do Laboratório de Teatro da Escola, lembrando dos processos de compartilhamento inicial das pesquisas artísticas que precedem a Mostra final.

Sinopse

Foto: Daniel Macêdo

“Chorume: laboratório em teatro documentário” é um projeto da Companhia Ortaet que busca compreender o tecido social do bairro Chapadinha e a estrutura do Lixão a céu aberto ali situado, usando como aparato metodológico: entrevistas, fotografias e vídeos. É um processo colaborativo e de dramaturgia autoral fundamentado no teatro documentário. Pretendemos (re) criar ações interventoras que possam transformar as problemáticas, fazendo apontamentos de saídas possíveis a partir da encenação teatral.

O grupo apresentará na MOPI um experimento em processo de criação do espetáculo Chorume, em diálogo com os meios digitais e as novas propostas de encenação presenciadas neste tempo de pandemia. Numa conversa após a apresentação, abordaremos questões vivenciadas no processo de pesquisa e criação, a partir do encontro entre coletivo, cidade, catadoras (es) e lixão!

FICHA TÉCNICA

Cia Ortaet de Teatro
Direção, dramaturgia e tutoria: Marcelo Soler
Assistência de direção: José Filho
Elenco:
Aldenir Martins
Angélica Braga
Betânia Lopes
Carla Rosana
Cleilson Queiroz
Franciélio Silva
José Filho
Marcos Bandeira
Ronayann Lima
Ronald Carvalho
Fotografia e filmagem: Dam Macedo
Transmissão: David Morais
Imagem do Sr. Cicero Clara: Fran Paulo

Sobre a Cia Ortaet

A Cia Ortaet de Teatro foi fundada em abril de 1999 na cidade de lguatu, tornando-se associação em 10 de junho de 2000. Em 2014, foi reconhecida pela Prefeitura Municipal e Câmara de Vereadores de Iguatu como “Entidade de Utilidade Pública”, através da Lei Nº 2.079, de 22 de abril de 2014. Durante esse período o coletivo montou aproximadamente 15 espetáculos dentre eles ‘Silêncio por um Minuto’ produção colaborativa com a temática violência contra a mulher. Participou de festivais. Principais projetos realizados: Caleidoscópio, um olhar teatro – 2014 a 2015 (Projeto composto de Oficinas e espetáculos convidados, com o intercâmbio entre a Cia Ortaet de Teatro e os grupos teatrais; Projeto Olaria – Laboratório de Teatro – 2010 a 2012 (Oficinas de formação para artistas de teatro); Cine Telha – 2010 a 2015 (Projeto destinado a exibição de filmes e vídeos nacionais e de artes, de forma gratuita, tanto fixa quanto itinerante).

Aldenir Martins, Angélica Braga, Betania Lopes, Marcos Bandeira, Cleilson Queiroz, José Filho, Carla Morais , Ronald Petrelli, Francielio Silva – Artistas Pesquisadores criadores

Cleilson Queiroz e José Filho – Coordenação pedagógica

Sobre Marcelo Soler (tutor e diretor)

Diretor e pedagogo teatral, possui doutorado e mestrado em artes cênicas pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) – onde realizou ambas pesquisas em torno do campo do Teatro Documentário – Graduado em Artes Cênicas _ ECA/USP (foi laureado por excelência acadêmica na instituição) e em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero. É professor universitário no Departamento de Artes Cênicas (ECA/USP) na área da pedagogia Teatral, na Faculdade Cásper Líbero e na Faculdade Paulista de Artes (FPA) na qual além de responsável pelas disciplinas Direção Teatral I e II coordena o curso de Graduação de Licenciatura em Teatro na FPA. Integrou o Instável Núcleo de Estudos de Recepção Teatral (INERTE) coordenado pelo Prof. Dr. Flávio Desgranges. Atuou como analista pedagógico do Usina Teatral Sesc Pernambuco- Recife (agosto de 2017). Membro fundador e diretor da Cia. Teatro Documentário. Dirigiu e escreveu as seguintes encenações: “Terra de Deitados – documentário cênico sobre a vida e a morte na grande cidade” (Contemplado pela Vigésima Quinta edição da Lei de Fomento para a Cidade de São Paulo – Cemitério da Vila Mariana, 2016), “Terrenos” (Contemplado pela Vigésima Terceira edição da Lei de Fomento para a Cidade de São Paulo – Cemitério da Vila Mariana – 2016; Circuito Tusp 2016 e Proac/SP 2015) “Esse Vasto Terço de Nosso Belo Reino – documentário cênico sobre uma rua paulistana” (Contemplado pela Décima Nona edição da Lei de Fomento para a Cidade de São Paulo – Rua Maria José no bairro da Bela Vista, 2013/2014), “Pretérito Imperfeito – documentário cênico” (Contemplado pela Décima Sexta edição da Lei de Fomento para a Cidade de São Paulo – Casa do Teatro Documentário – 2010/2011/2012); “Con- sumindo 68 – teatro documentário” (Mostra Rebeldes e Utópicos/SESC Consolação, Espaço Parlapatões – 2008); “Onishi não pode dançar” (Casa da D. Yayá/CPC-USP – 2008); “De como Frank Sinatra me emociona ou O açougue” (Sala Crisantempo e Espaço Pulsarte – 2007); “Cor de rosa ou Por que é preciso estourar bexigas?” (Teatro Irene Ravache e Teatro Júlia Bergman – 2006/2007). Com “Onishi não pode dançar”, a convite de Yoshito Ohno, apresentou a encenação no Japão no Kazuo Ohno Dance Studio, com o apoio do Ministério da Cultura. Com “Consumindo 68 – teatro documentário” fora considerado “um dos quatro grupos jovens” da cidade de São Paulo pela Revista da Folha (Domingo, 31 de agosto de 2008) como “dignos de aplausos”. Com “Terra de Deitados – documentário cênico sobre a vida e a morte na grande cidade” recebeu o prêmio Colar Guilherme de Almeida da Câmara Municipal (dezembro de 2016). Lançou pela Editora Garçoni com o apoio da Secretaria Estadual da Cultura do Estado do Paraná “Quanto Vale um Cineasta Brasileiro?”, livro/documentário sobre a vida e obra do cineasta Sérgio Bianchi e publicou pela Editora HUCITEC o livro “Teatro Documentário: a Pedagogia da Não Ficção”. Entre os artigos publicados destacam-se: “A Desconstrução de Estereótipos” e “Preconceitos em Sala de Aula a partir da prática Teatral” (Educere ET Educare/UNIOESTE), “O Espectador do Teatro de Não Ficção” (Sala Preta/ECA/USP) e “Encenação: Espaço Possível para a Aprendizagem do Espectador” (Revista Trama Interdisciplinar/ Universidade Mackenzie).

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, ligada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há sete anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O quê: Experimento cênico sobre o bairro e o lixão da Chapadinha, em Iguatu, estreia na 8ª MOPI
Quando: Sexta-feira, 28 de maio, às 20h
Onde: Canal do YouTube do Porto Iracema das Artes
Programação online e gratuita

Equipe de Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Texto: Pedro Victor Lacerda (estagiário) | Supervisão e edição: Raphaelle Batista | Publicado em 16/05/2021